22 de fev de 2011

TEXTO

Lição de casa: um campo de batalha

     Passada a euforia do manuseio do novo material escolar, a lição de casa volta a gerar conflitos familiares: é a criança que não quer fazer, pais que querem a perfeição e muitos professores que nem sabem realmente o que querem...
     Tarefa plural, o tema tem se apresentado, muitas vezes, de eficácia duvidosa para o aprendizado. Em geral, tem se caracterizado como forte resquício do ensino tradicional, priorizando a repetição, o cansaço físico, o esgotamento nervoso e o "fazer por fazer". Nesta perspectiva, nada tem de construtivo e frequentemente cheira a castigo disfarçado. E o pior: sob encomenda, pois conta com o respaldo dos pais.
     Via de regra, a função de uma tarefa para casa, que deveria se exercitar habilidades de um conteúdo já aprendido, tem ficado a mercê do humor do professor ou até  da falta de planejamento de aula eficaz e suficientemente adequado à carga horária prevista.
     Essa incoerência pedagógica ainda é mais grave para as crianças das escolas públicas, que utilizam como recurso os livros didáticos fornecidos pelo Ministério da Educação. O  fato de as crianças não terem autorização para escreverem nesses "tesouros" tem levado alguns professores a exigirem que seus alunos não apenas respondam às questões , mas que copiem tudo com "bela letra", sem erros.
     Históricas, as relações com o tema de casa necessitam ser questionadas tanto na escola quanto fora dela.  Para que sujeitos cumpram as tarefas, é preciso acrescentar individualidade ou necessidades específicas. Cabe ao professor verificar quais são as limitações de cada aluno, evitando trabalhos repetitivos dando cunho produtivo às tarefas.
     É preciso que a equipe escolar oriente as famílias, que, por falta de informação e até por necessidade de manter a rotina do silêncio (já que os filhos se recolhem quietos para fazerem a lição) , fazem pedidos descabidos aos professores em prol de uma boa quantia de deveres. A escola estará evitando que o fato de ter pouca lição de casa gere conclusões equivocadas e negativas quanto ao desempenho do professor.
     Vale lembrar, uma grande lição dada por Ziraldo no livro A Professora Maluquinha. Ela é questionada por não passar lições de casa. Obrigada a mudar, por causa da pressão  da direção da escola, propõe atividades que necessitariam da intervenção mais efetiva dos pais e não simplesmente uma inspeção. Como "pimenta nos olhos dos outros é refresco", surgiram mais criticas  e até pais levantando bandeiras para uma possível abolição do tema de casa.
                                                 (Maria Cristina Schefer)

Nenhum comentário:

Postar um comentário